CONGADA
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APRESENTAÇÃO

Nos tempos do Brasil Colônia, a história das Cruzadas, com lutas entre cristãos e mouros, teve largo uso na catequese dos “gentios” como fábula da conversão ao cristianismo. Disseminou-se por todo Brasil uma versão adaptada da gesta de Carlos Magno e os Doze Pares de França, defensores da Lei de Cristo que vencem os infiéis e os fazem aceitar a “água do batismo”. Em terras brasileiras, esses guerreiros legendários tornam-se personagens em diversas representações dramático-coreográficas, inclusive nas de africanos e índios, que originalmente encenavam guerras interétnicas (um bem contra um mal, no dizer de Mário de Andrade). Assim, na Congada de Ilhabela, tradicional dramatização de batalhas entre chefes africanos, o Rei de Congo aparece como comandante da cristandade e, ladeado por seus 12 fidalgos – os Pares de França -, guerreia contra o embaixador de Luanda, o invasor pagão, subjuga-o e o faz batizar.
Tais representações trazem a beleza e a intensidade das danças dramáticas, em que as embaixadas, (fala dos personagens), se alternam ou se misturam a toques de instrumentos, cantos, danças, bater e cruzar de espadas. Preciosidades de uma dramaturgia feita pelo povo, representadas na rua durante festas religiosas, elas constituem o mais autêntico teatro clássico brasileiro.

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